BPC LOAS para autista negado: E agora o que fazer? - Taveira Advogados - Advocacia Previdenciária - Especialistas em INSS

BPC LOAS para autista negado: E agora o que fazer?


Imagine que você passou por todo o processo de solicitação do BPC/LOAS para seu familiar autista, reuniu documentos, comprovou a condição e, no final, o benefício foi negado.

Sei o quanto essa resposta pode ser frustrante e desanimadora, afinal, trata-se de um direito e de um suporte financeiro fundamental para ajudar no cuidado e nas necessidades do seu familiar.

Mas não se preocupe, pois nem tudo está perdido. Muitas vezes, a negativa ocorre por questões que podem ser revertidas com um bom recurso administrativo ou até mesmo com ação judicial.

Vamos entender isso melhor? Então me acompanhe neste post até o final e confira o que você vai encontrar aqui:

  1. O que pode causar o indeferimento do BPC LOAS para autista?

  2. BPC LOAS para autista negado: E agora o que fazer?

  3. Recurso Administrativo e Ação Judicial: Entenda cada um deles.

Com todas essas informações, você vai ver que existem caminhos para reverter essa situação.

Vamos começar?

1. O que pode causar o indeferimento do BPC LOAS para autista?

Quando o benefício BPC/LOAS para autista é negado, a sensação de injustiça e frustração pode ser grande, especialmente quando sabemos o quanto esse auxílio é importante para garantir uma qualidade de vida digna para seu familiar.

Mas, o fato é que infelizmente o INSS pode indeferir o BPC LOAS para autista por vários fatores.

Eu listei as principais causas de indeferimento do BPC para autistas. Veja:

1. Renda familiar acima do limite estabelecido

A negativa do BPC/LOAS para um autista por conta da renda familiar acima do limite é um dos motivos mais frustrantes para as famílias, que, muitas vezes, dependem desse benefício para garantir um mínimo de qualidade de vida e os cuidados necessários.

O BPC tem como um dos critérios principais a renda per capita familiar, que atualmente precisa ser inferior a 1/4 do salário mínimo por pessoa, isto é, R$353,00 por cada integrante da família em 2024.

A avaliação do INSS é feita de forma objetiva e com base nos documentos apresentados, sem considerar, necessariamente, os custos adicionais que o autismo pode representar no orçamento familiar.

Assim, uma renda um pouco acima do limite estipulado pode fazer com que o benefício seja negado, mesmo quando essa renda não cobre, de fato, as necessidades do dia a dia.

É aqui que muitos pedidos de BPC para autistas enfrentam problemas, e sem o apoio de um profissional que entenda o processo, muitas famílias não conseguem apresentar argumentos que mostrem ao INSS a real situação financeira.

2. Documentação incompleta

Ter o BPC/LOAS negado devido à documentação incompleta é um dos motivos mais comuns e frustrantes para quem está buscando o benefício para uma pessoa autista.

Você deve estar pensando: "Mas por que o INSS é tão exigente com a documentação"?

O BPC (Benefício de Prestação Continuada) é voltado para pessoas com deficiência ou idosos que vivem em situação de vulnerabilidade, e o processo de solicitação do benefício envolve uma análise rigorosa.

Essa análise inclui não só as condições de saúde da pessoa autista, mas também a situação financeira da família.

E tudo isso precisa ser comprovado com documentos detalhados e específicos.

O INSS estabelece esses critérios rígidos de documentação para evitar fraudes e assegurar que o benefício seja concedido a quem realmente necessita.

Quando falta algum documento essencial ou há informações incompletas, o processo de análise fica comprometido, e o benefício pode ser indeferido por falta de comprovação.

3. Erro na avaliação social e médica do INSS

Quando o BPC é negado, muitas vezes o problema está na avaliação social ou médica realizada pelo INSS.

Para quem tem uma pessoa autista na família, receber essa negativa pode ser extremamente frustrante, especialmente quando se sabe que há real necessidade do benefício.

Como funciona a avaliação social e médica do INSS

Para conceder o BPC, o INSS realiza uma avaliação completa da situação social e médica do solicitante, com o objetivo de confirmar duas coisas fundamentais:

  • Se existe a condição de deficiência que justifique a necessidade do benefício (no caso, o diagnóstico e as limitações do autismo)

  • Se a condição de vulnerabilidade social da família está de acordo com o limite de renda estabelecido por lei

Durante essa análise, o INSS envia um assistente social para avaliar as condições de vida da família (chamado de avaliação social), e um perito médico para examinar o requerente e confirmar a deficiência (conhecido como avaliação médica).

Erros mais comuns na avaliação

Infelizmente, essas avaliações nem sempre são precisas.

Em muitos casos, há equívocos que podem fazer com que o INSS negue o BPC, mesmo quando a pessoa autista e sua família realmente precisam e têm direito ao benefício.

Vou listar alguns dos erros mais comuns nessas avaliações:

  • Subestimação da condição do autismo: O perito do INSS pode não dar a devida atenção às limitações e necessidades específicas do autismo

  • Inadequação na avaliação do ambiente familiar: Na avaliação social, o assistente social precisa analisar a situação financeira e social da família. Às vezes, os assistentes não conseguem captar a realidade completa da situação, ignorando, por exemplo, gastos elevados com tratamentos médicos, terapias e outras necessidades que são essenciais para o bem-estar da pessoa autista. Isso pode fazer com que a avaliação considere a família fora do critério de vulnerabilidade, levando ao indeferimento do benefício

  • Desconsideração de laudos e exames: Esse erro pode ser grave, pois o autismo é uma condição que exige acompanhamento de especialistas. Ao ignorar esses documentos, o perito pode acabar tomando decisões que não refletem o real estado da pessoa, prejudicando o pedido

  • Avaliação sem análise detalhada do CID: O CID (Classificação Internacional de Doenças) do autismo contém informações específicas que indicam o nível de comprometimento e a necessidade de cuidados. Porém, em muitos casos, a análise é superficial e o CID acaba sendo ignorado ou mal interpretado pelo INSS. Esse erro pode ser determinante para o indeferimento, pois é essencial que o perito compreenda a profundidade da condição

Um absurdo não é mesmo?

4. Falta de atualização do Cadúnico

A falta de atualização do CadÚnico é uma das causas mais comuns para o indeferimento.

O CadÚnico, ou Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal, é um registro essencial para que famílias de baixa renda possam acessar benefícios sociais.

No caso do BPC/LOAS, ele serve como base para verificar a situação econômica da família do solicitante. Assim, o governo pode avaliar se a família realmente se enquadra nos critérios de renda exigidos por lei, que atualmente é de 1/4 do salário mínimo por pessoa.

Por que isso é importante?

Porque o BPC não é um benefício contributivo, ou seja, ele não exige que a pessoa tenha contribuído para o INSS.

No entanto, ele exige que a família esteja em uma situação de vulnerabilidade econômica comprovada. E o CadÚnico é o instrumento que o INSS usa para avaliar essa condição.

Quando o CadÚnico não está atualizado, o INSS pode acabar utilizando dados antigos e desatualizados para avaliar a situação da família.

Essa situação pode levar ao indeferimento do pedido de benefício de várias maneiras:

  • Informações desatualizadas sobre a renda familiar

  • Mudanças no número de membros da família

  • Falha na comprovação de vulnerabilidade social

  • Prazos de atualização do Cadúnico

Infelizmente esse detalhe, muitas vezes, passa despercebido, mas pode fazer toda a diferença no sucesso do pedido.

5. Desconhecimento de benefícios ou renda recebidos por outros membros da família

Quando o pedido do BPC/LOAS para uma pessoa com autismo é negado, muitos ficam surpresos ao descobrir que o desconhecimento sobre os benefícios ou a renda de outros membros da família pode ter sido a causa. Isso mesmo que você leu.

A lei exige que a renda familiar per capita (por pessoa) seja igual ou inferior a 1/4 do salário mínimo.

Por isso, é fundamental que todos os ganhos da família estejam corretamente informados e atualizados no CadÚnico, pois o INSS utiliza essa base de dados para verificar se o requerente realmente se enquadra no perfil de vulnerabilidade exigido.

Muitas vezes, famílias que convivem com a realidade do autismo possuem fontes de renda variadas, como pensões, auxílios ou mesmo pequenos trabalhos informais.

No entanto, quando essas informações não são declaradas no CadÚnico, o INSS pode entender que há uma omissão de informações, o que pode levar ao indeferimento do pedido.

Eu listei algumas situações, dá só uma olhada:

  • Benefícios recebidos por outros membros da família: Qualquer benefício, pensão ou auxílio recebido por outros membros da família deve ser incluído no CadÚnico. Isso inclui aposentadorias, pensões alimentícias, benefícios sociais e até mesmo ajudas financeiras de programas governamentais. Se algum desses valores não estiver registrado, o INSS pode interpretar que a família não cumpriu com a transparência exigida, levando ao indeferimento

  • Trabalhos informais não declarados: Em muitos casos, membros da família têm trabalhos informais que não geram um registro formal de renda. Se esses valores não são incluídos no CadÚnico, o INSS pode entender que o grupo familiar possui mais recursos do que o informado, o que compromete a análise e pode resultar na negativa do benefício

  • Desconhecimento de auxílios pontuais: Algumas famílias recebem auxílios pontuais, como bolsas de estudo, ajuda de custo para tratamentos ou apoios de instituições, e não consideram essas ajudas como parte da renda. No entanto, o INSS pode considerar esses auxílios como um indicativo de que a família não está em situação de extrema vulnerabilidade, o que impacta diretamente o resultado da análise

2. BPC LOAS para autista negado: E agora o que fazer?

Quando o pedido do BPC/LOAS para uma pessoa com autismo é negado, a primeira reação é de surpresa e, muitas vezes, de preocupação.

Afinal, a busca pelo Benefício de Prestação Continuada (BPC) é essencial para famílias em situação de vulnerabilidade.

Por isso, antes de qualquer coisa, o mais recomendado é buscar o auxílio de um bom advogado previdenciário. E você já vai entender o porquê.

Lidar com o INSS pode ser desgastante, especialmente quando se trata de um direito tão importante quanto o BPC para pessoas com autismo.

Um advogado especializado sabe exatamente como o sistema funciona.

Ele irá analisar o seu caso de forma assertiva, entender o motivo do indeferimento do BPC. E a partir dessa análise, ele terá duas alternativas:

  • Entrar com Recurso Administrativo

  • Recorrer à Justiça

Vamos entender cada uma delas? Continue me acompanhando no próximo tópico.

3. Recurso Administrativo e Ação Judicial: Entenda cada um deles

Quando o BPC LOAS para autista é negado, existem duas alternativas para reverter essa decisão.

1. Recurso Administrativo

O Recurso Administrativo é a primeira opção para questionar a decisão negativa do INSS.

Ele consiste em uma nova análise, onde você apresenta argumentos e documentos complementares para que o INSS reavalie o caso.

Mas atenção! Após receber a negativa, você tem 30 dias para entrar com o recurso.

No recurso administrativo, você tem uma chance valiosa de complementar o pedido com mais informações, esclarecer pontos que o INSS possa ter interpretado de forma equivocada e detalhar a situação social e econômica da família.

Dica de advogada previdenciária: É fundamental que você apresente toda a documentação necessária e, de preferência, adicionais que possam reforçar o pedido, como laudos médicos, declarações de terapeutas e comprovantes de renda detalhados.

Nesse ponto, um advogado pode fazer toda a diferença, pois ele tem o conhecimento necessário para elaborar o recurso de forma estratégica, garantindo que todos os pontos importantes sejam bem apresentados.

2. Ação Judicial

Caso o recurso administrativo seja negado, ou se você quiser uma análise mais ampla e detalhada, a Ação Judicial é a melhor alternativa.

Isso porque a Justiça permite uma revisão mais completa, incluindo uma nova avaliação médica e social e até mesmo a apresentação de testemunhas que possam atestar a necessidade do benefício.

Na ação judicial é possível pedir uma nova avaliação pericial, realizada por um profissional independente, que poderá fornecer uma visão mais precisa da condição de autismo e das limitações que isso impõe ao beneficiário.

O ideal é buscar o auxílio de um advogado para avaliar a melhor opção para lutar por seus direitos.

Como o advogado poderá te ajudar

  • Elaborar o Recurso Administrativo com Estratégia: O advogado ajudará a estruturar o recurso de maneira completa, com argumentos técnicos e toda a documentação relevante, garantindo que cada detalhe que pode ajudar na aprovação seja bem apresentado

  • Representar e Orientar Durante a Ação Judicial: Na Justiça, o advogado será o responsável por defender seu caso, buscando sempre o melhor desfecho para você e para sua família. Ele também orientará sobre os documentos, depoimentos e provas que podem fortalecer ainda mais o pedido do BPC/LOAS

  • Evitar Erros que Possam Prejudicar o Processo: Pequenos erros podem causar mais negativas e atrasos. Um advogado especializado identifica os pontos críticos desde o início e ajusta o processo para que ele atenda a todas as exigências do INSS e da Justiça

Portanto, é crucial contar com o auxílio de um bom advogado previdenciário, combinado?

Conclusão

Você chegou ao final da leitura e viu os motivos mais comuns que podem levar ao indeferimento do BPC LOAS para autistas, dentre elas: documentos incompletos, renda familiar acima do limite estabelecido, falta de atualização do cadúnico.

Porém, existem dois caminhos para reverter essa decisão:

  • Recurso Administrativo

  • Ação Judicial

Felizmente, agora você está mais preparado para enfrentar este tipo de situação.

Agora que você sabe a resposta para BPC LOAS para autista negado e agora o que fazer, é recomendado contar com a ajuda de especialistas em direito previdenciário para garantir os seus direitos junto ao INSS.

Viu só quantas informações incríveis?

Bom, fico por aqui e espero ter ajudado.

Mas se você ficou com alguma dúvida é só deixar aqui nos comentários.

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Até a próxima.

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