Plano de saúde deve cobrir terapia para tratamento do TEA?
O Plano de saúde deve cobrir as terapias para tratamento do TEA.
Mas, quando você menos espera, o plano de saúde te deixa na mão.
Nessas horas é comum surgir uma porção de dúvidas sobre a cobertura das terapias necessárias para o tratamento do TEA e o que fazer para garantir os seus dias.
Justamente por isso preparei esse post.
Aqui eu separei tudo o que você precisa saber sobre a cobertura de terapia para tratamento do TEA.
E tem muito mais, dá só uma olhada no que você vai encontrar aqui:
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Quais são as terapias para tratamento do TEA?
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Plano de Saúde deve cobrir terapia para tratamento do TEA?
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E se o plano de saúde se recusar a cobrir a terapia para o TEA?
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O que diz a Justiça sobre a recusa do plano de saúde na cobertura de terapia para o tratamento do TEA?
Bacana né? Com tudo isso em mãos você vai descobrir informações valiosíssimas para ter todos os seus direitos na ponta da língua.
Aproveite o conteúdo e boa leitura.
1. Quais são as terapias para tratamento do TEA?
Antes de entendermos sobre a cobertura pelos planos de saúde, é importante saber quais são as terapias mais comuns.
Isso porque diversas terapias podem ser utilizadas para ajudar a melhorar as habilidades sociais, de comunicação e comportamentais.
As terapias mais comuns para o autismo são:
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Análise do Comportamento Aplicado (ABA)
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Terapia Ocupacional (TO)
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Fonoaudiologia
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Teoria Cognitivo Comportamental (TGC)
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Intervenção Precoce
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Terapia de Integração Sensorial
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Terapia de Jogos
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Terapia Familiar
Vamos conhecer cada uma delas? Me acompanhe.
Análise de Comportamento Aplicado (ABA)
A ABA, como é conhecida, é uma abordagem terapêutica baseada na ciência do comportamento.
A análise utiliza princípios de aprendizagem para melhorar comportamentos específicos e ensiná-los de forma estruturada.
Funciona assim:
As sessões são geralmente individuais, com um terapeuta que trabalha com a criança em uma série de tarefas específicas.
E o comportamento desejado é reforçado com recompensas.
O objetivo da terapia ABA é melhorar habilidades de comunicação, sociais e acadêmicas, além de reduzir comportamentos problemáticos.
Próximo tipo de terapia.
Terapia Ocupacional (TO)
Já a Terapia Ocupacional ajuda os portadores do TEA a desenvolver, recuperar ou manter habilidades necessárias para a vida diária e trabalho.
Funciona assim:
A TO envolve atividades que visam melhorar habilidades motoras finas e grossas, coordenação, integração sensorial e habilidades de autocuidado.
Com isso, aumentam as chances de independência do portador do Transtorno Espectro Autismo na realização das atividades diárias, como:
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Se vestir
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Se alimentar
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Cuidar da higiene pessoal
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Dentre outras atividades
Tudo bem até aqui?
Fonoaudiologia
Já a fonoaudiologia, é a terapia ideal para melhorar as habilidades de comunicação e linguagem do portador do TEA.
Na terapia, serão trabalhados aspectos como articulação, isso inclui:
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Construção de frases
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Uso apropriado da linguagem social
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Dentre outras formas de comunicação verbal e não verbal
Como você pode observar, a fonoaudiologia é crucial para facilitar a interação social e aumentar a compreensão e uso da linguagem pelo TEA.
Continuando...
Teoria Cognitivo Comportamental (TGC)
A TGC (Terapia Cognitivo Comportamental), é uma abordagem terapêutica que tem por objetivo modificar padrões de pensamento e comportamento.
E você já vai entender como.
Durante as sessões de TGC, o terapeuta irá ajudar o portador do TEA a reconhecer e mudar pensamentos negativos e distorcidos e assim, reduzir a ansiedade e comportamentos repetitivos.
Mais uma terapia.
Intervenção Precoce
Talvez você conheça a Intervenção Precoce como Diagnóstico Precoce ou Denver.
O diagnóstico precoce de crianças com TEA - Transtorno do Espectro Autismo - é essencial para o sucesso das intervenções e tratamentos, além da melhora da qualidade de vida diária e social da criança.
Apesar de não haver cura para o autismo, a intervenção precoce poderá amenizar os sintomas e, em alguns casos, impedir a manifestação completa do transtorno do espectro autismo.
A intervenção precoce é destinada a crianças de até 3 anos de idade e envolve uma equipe multidisciplinar para desenvolver um plano de tratamento individualizado.
E assim, incentivar o TEA a buscar a sua independência para realizar as tarefas mais básicas, como por exemplo, escovar os dentes.
A equipe multidisciplinar, é composta por médicos, fonoaudiólogos, fisioterapeutas, psicólogos, terapeutas ocupacionais e professores.
Quanto mais cedo o início do tratamento, maiores serão as conquistas pelas crianças com TEA.
E ainda tem muito mais.
Terapia de Integração Sensorial
Já a Integração Sensorial é uma terapia para integrar os sistemas sensoriais do portador do Transtorno Espectro Autismo.
Em outras palavras, um método terapêutico para criar estímulos adequados a criança com autismo, como por exemplo, excesso ou falta de sensibilidade em alguns sentidos e dessa forma, propiciar maior conforto e qualidade de vida.
Terapia de Jogos
Você já ouviu falar na Play Therapy?
Trata-se de uma terapia que usa diferentes tipos de jogos para criar um ambiente seguro onde a criança pode explorar emoções e aprender a interagir com os outros.
Com essa terapia, é esperado o aumento da autoconfiança, a resolução de problemas com mais facilidade e melhorar a interação social.
Legal né?
Terapia Familiar
Outro tipo de terapia para o tratamento do TEA, é a Terapia Familiar.
Como o próprio nome já diz, é a terapia que envolve toda a família, para entender e apoiar o portador do Transtorno Espectro Autismo.
São realizadas sessões com os membros da família para discutir dinâmicas familiares, ensinar técnicas de comunicação e estratégias de enfrentamento.
E dessa forma, melhorar a comunicação e o relacionamento familiar, fornecer suporte emocional e criar um ambiente de apoio para a pessoa com autismo.
Essas são as terapias mais comuns para o TEA.
Embora cada portador do TEA possua suas particularidades e necessidades, a terapia para o tratamento é crucial para o desenvolvimento e qualidade de vida da pessoa com autismo.
2. Plano de saúde deve cobrir terapia para tratamento do TEA?
Nessas horas, é comum surgir a dúvida sobre a cobertura do tratamento pelo plano de saúde.
Embora cada plano de saúde tenha suas regras contratuais estabelecidas na apólice, saiba que é dever do plano de saúde cobrir a terapia para tratamento do TEA.
Esse direito está garantido na Lei dos Planos de Saúde nº 9656/1988.
E não é só isso!
O plano NÃO pode impor limite de sessões para quaisquer tipos de terapia.
Isto é, o plano de saúde não pode limitar o número de sessões de fonoaudiologia, terapia ocupacional, enfim, todo o tratamento multidisciplinar necessário para o TEA conforme prescrição médica, ainda que não esteja incluso no Rol da ANS.
3. E se o plano de saúde se recusar a cobrir terapia para tratamento do TEA?
Quando você menos espera, o plano de saúde te deixa na mão.
Se você acompanha os noticiários, deve ter notado que infelizmente os casos em que o plano de saúde se recusa a cobrir terapias para o TEA tem se tornado cada vez mais comuns.
E se isso aconteceu com você, antes de tudo, o mais recomendado é buscar o auxílio de um advogado de sua confiança para analisar o seu caso e ingressar com uma ação judicial.
Para processar o plano de saúde pela falta de cobertura no tratamento do TEA, você vai precisar juntar todos os documentos.
Documentação que você vai precisar
A documentação pode variar conforme o caso, mas em regra, você vai precisar reunir os seguintes documentos:
Documentos pessoais do paciente e do representante legal
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RG
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CPF
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Certidão de Nascimento ou Casamento
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Comprovante de residência
Documentos do plano de saúde
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Carteirinha do plano de saúde: Pode ser a cópia
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Contrato do plano de saúde: Na ação judicial deverá ser anexada a via original do contrato, bem como quaisquer aditivos ou modificações posteriores
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Comprovante de pagamento: Comprovante de pagamentos das últimas mensalidades
Negativa do plano de saúde
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Carta de negativa: Esse documento é o mais importante. É a carta formal de negativa de cobertura do tratamento do TEA. Essa carta deve ser emitida pelo plano de saúde detalhando os motivos da recusa do tratamento
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Protocolos de atendimento: Ao entrar com uma ação judicial, é importante documentar todos os registros de todas as comunicações com o plano de saúde, como e-mails, protocolos de atendimento, cartas, dentre outros meios
Documentos médicos
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Relatório médico: Documento fornecido pelo médico responsável pelo tratamento, descrevendo o diagnóstico de TEA, histórico da condição, tratamentos recomendados e a necessidade específica das terapias negadas. O relatório deve incluir justificativas técnicas e científicas
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Prescrição médica: Receita do medicamento ou indicação das terapias necessárias, com data, carimbo e assinatura do médico
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Exames médicos: Resultados de exames e avaliações que comprovem o diagnóstico de TEA e a necessidade do tratamento
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Histórico de tratamentos anteriores: Documentação que mostre tratamentos anteriores e seus resultados, caso aplicável
Esses são os documentos que não podem faltar.
E o advogado de sua confiança vai apontar direitinho outros documentos complementares caso seja necessário.
4. O que diz a Justiça sobre a recusa do plano de saúde na cobertura de terapia para tratamento do TEA?
Muitas famílias têm medo de entrar com ação judicial e ainda sofrer retaliação pelo plano de saúde.
Pois bem. Saiba que você não pode sofrer nenhum tipo de retaliação. E se isso acontecer, você terá direito a uma indenização. Justo né?
E tem mais. A justiça tem se manifestado de forma contundente em relação a recusa dos planos de saúde em cobrir o tratamento do TEA.
Eu trouxe aqui um caso real. Veja.
Apelação Cível Nº 1003365-78.2018.8.26.0506 - Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) - 4ª Câmara de Direito Privado
A autora da ação, mãe de uma criança diagnosticada com Transtorno do Espectro Autista (TEA), ingressou com ação judicial contra o plano de saúde após a negativa de cobertura das terapias prescritas para o tratamento de seu filho, incluindo Análise do Comportamento Aplicada (ABA), terapia ocupacional, fonoaudiologia e psicoterapia.
A sentença de primeira instância julgou procedente o pedido da autora, condenando o plano de saúde a fornecer as terapias indicadas, com base no relatório médico que demonstrava a necessidade dos tratamentos para o desenvolvimento da criança.
Este exemplo de decisão judicial mostra como os tribunais brasileiros têm garantido o direito dos pacientes com TEA a receberem os tratamentos necessários, condenando planos de saúde que se recusam a cobrir terapias essenciais.
A decisão reforça a obrigatoriedade de cobertura, independentemente de os tratamentos estarem listados no rol da ANS, desde que haja prescrição médica que justifique a necessidade terapêutica.
Contar com o apoio de um bom advogado faz toda a diferença para o seu processo!
Conclusão
Prontinho.
Você chegou ao final da leitura e viu que cada plano de saúde tem as suas regras contratuais.
Mas, independente do tipo de plano, é dever do plano de saúde a cobertura para tratamento do TEA, mesmo que a terapia não tenha sido incluída no Rol da ANS.
Agora que você sabe a resposta para plano de saúde deve cobrir a terapia para tratamento do TEA é recomendado contar com a ajuda de especialistas em direito da saúde para garantir os seus direitos junto ao plano de saúde.
Viu só quantas informações incríveis?
Bem, fico por aqui e espero ter ajudado.
Mas se você ficou com alguma dúvida é só deixar aqui nos comentários.
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Até a próxima.
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